Este é o primeiro artigo da série dedicada ao Documento de Estudos nº 8 da CNBB – “Pastoral do Dízimo”, um material de grande importância para a vida da Igreja no Brasil. A proposta desta série é oferecer reflexões, formações e subsídios pastorais inspirados neste documento, que há décadas orienta comunidades, paróquias e dioceses na vivência consciente e evangelizadora do dízimo. Cada publicação abordará, de forma acessível e atual, os principais eixos do texto: o dízimo na Bíblia, o dízimo e os ensinamentos da história, os aspectos sociológicos do sistema do dízimo e os pressupostos e interrogações pastorais para seu restabelecimento.

O ponto de partida deste primeiro artigo é a introdução do Documento 8, que apresenta o contexto histórico e pastoral do surgimento da reflexão sobre o dízimo no Brasil. A discussão em torno do restabelecimento do sistema do dízimo ganhou força nas últimas décadas, diz o texto, refletindo o desejo da Igreja Católica de encontrar um modelo mais justo, comunitário e pastoralmente adequado de sustentação. Desde o final da década de 1960, a CNBB liderou esse movimento, promovendo estudos, debates e experiências que visavam adaptar as práticas de partilha às diversas realidades regionais.
A caminhada começou com o Seminário sobre Bens Eclesiásticos e Sistemas de Sustentação da Igreja, realizado em 1967, no Rio de Janeiro. A partir desse encontro e das reflexões do Pe. Raimundo Caramuru de Barros em “Bens Temporais numa Igreja Pobre”, a Igreja no Brasil deu os primeiros passos para substituir o sistema de taxas por um modelo mais evangélico e participativo. Em 1969, os bispos reunidos na X Assembleia Geral da CNBB declararam o sistema de taxas “pastoralmente inadequado” e decidiram aprofundar o estudo teológico do dízimo, o que culminou, em 1970, com a publicação do primeiro folheto “Campanha Nacional do Dízimo”.
A partir de 1971, com a criação de uma Comissão Especial e a realização de amplas consultas às dioceses, o dízimo começou a ser estruturado de forma mais sistemática. As experiências vividas em várias regiões do país levaram à aprovação, em 1974, de seis orientações pastorais que definiram o dízimo como meta de todas as Igrejas Particulares no Brasil. Essa decisão representou não apenas uma reorganização financeira, mas sobretudo uma mudança de mentalidade: o dízimo passou a ser entendido como expressão de comunhão, corresponsabilidade e evangelização.
Os subsídios elaborados pela CNBB nesse período – reunindo perspectivas bíblicas, históricas, teológicas e sociológicas – continuam atuais e inspiradores. Eles mostram que o dízimo é muito mais que uma contribuição material; é um ato de fé, gratidão e pertença. Por isso, nesta série, buscaremos não apenas revisitar o conteúdo do Documento 8, mas também atualizá-lo à luz da realidade pastoral de hoje, oferecendo instrumentos que ajudem comunidades a implantar ou revitalizar sua Pastoral do Dízimo.
Nosso propósito é que, a cada artigo, cresça entre nós o número de dizimistas conscientes e comprometidos, que compreendam o dízimo como parte essencial da missão da Igreja. Que essa série ajude nossas comunidades a viver o lema que inspira todo o Documento 8: “O dízimo é sinal de fé, comunhão e partilha, que sustenta a evangelização e constrói uma Igreja viva e missionária.”
Pergunta para reflexão:
Por que a CNBB considerou o antigo sistema de taxas “pastoralmente inadequado” e como essa decisão transformou a vida das comunidades?
