A Sagrada Escritura revela que o dízimo não surge de forma isolada nem exclusiva, mas como uma das muitas expressões pelas quais o ser humano manifesta sua relação com Deus. Desde as culturas mais antigas, o gesto de oferecer parte dos bens à divindade aparece como sinal concreto de reconhecimento, dependência e gratidão. Na Bíblia, essa atitude assume diversas formas: dízimos, primícias, sacrifícios, tributos religiosos, promessas e ofertas espontâneas.

Essas práticas, embora diferentes em sua forma externa, possuem um elemento comum: o gesto livre de desprendimento. O fiel se desfaz de algo que lhe pertence para consagrá-lo a Deus. Trata-se de uma ação que ultrapassa o simples aspecto material e alcança o campo simbólico e espiritual, pois expressa a consciência de que tudo tem origem no Criador e a Ele retorna.
A Bíblia apresenta o dízimo como parte dessa dinâmica maior da oferta. Ele não é, portanto, uma realidade isolada ou absoluta, mas uma linguagem entre outras, por meio da qual o povo expressa sua fé. Ao lado do dízimo, encontram-se as primícias da colheita, os votos, os sacrifícios e até obras realizadas em honra a Deus, todas como sinais de uma vida orientada para o sagrado.
Essa diversidade de formas revela algo profundamente humano: o desejo de relacionamento com Deus. O homem religioso busca um intercâmbio com a divindade, manifestando respeito, louvor, pedido, reconciliação e gratidão. A oferta de bens materiais torna-se, assim, um meio visível de expressar uma realidade interior invisível.
O Documento 8 da CNBB destaca que esse fenômeno atravessa épocas e culturas. Não se trata de uma prática exclusiva de um povo ou de uma religião, mas de uma constante antropológica. Desde o homem primitivo até as sociedades mais elaboradas, o gesto de oferecer algo a Deus aparece como sinal de fé e de busca de sentido.
No contexto bíblico, esse gesto é progressivamente purificado. A oferta deixa de ser vista apenas como tentativa de agradar ou aplacar a divindade e passa a ser compreendida como resposta amorosa à iniciativa de Deus. O cristão, à luz da Revelação, oferece não para “comprar” favores, mas para reconhecer o amor recebido.
Assim, o dízimo, compreendido biblicamente, deve ser inserido nessa visão ampla. Ele é uma expressão concreta da fé vivida, um sinal de pertença e de compromisso, que só faz sentido quando nasce de um coração que reconhece Deus como fonte de todos os bens.
Perguntas para reflexão:
- De que maneira compreendo hoje o gesto da oferta dentro da minha experiência de fé?
- O dízimo que pratico expressa uma relação viva e consciente com Deus?
