
A conclusão da Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christifideles Laici retoma, com força renovada, o convite evangélico do Senhor: “Ide vós também para a minha vinha”. Neste apelo simples e direto está condensado todo o sentido do Sínodo sobre a vocação e a missão dos fiéis leigos. Cristo chama a todos, mas dirige-se de modo particular aos leigos e leigas, convidando-os a assumirem, com alegria e responsabilidade, o seu lugar próprio na Igreja e no mundo.
O caminho sinodal foi, para a Igreja, uma profunda experiência espiritual: uma escuta atenta do Espírito Santo para discernir como anunciar, hoje, o mistério da comunhão e o dinamismo missionário da salvação. O verdadeiro fruto deste processo — afirma o documento — não depende apenas dos textos produzidos, mas da acolhida concreta do apelo do Senhor por todo o Povo de Deus, especialmente pelos fiéis leigos, chamados a traduzir em vida o que a Igreja proclama.
Por isso, o texto final insiste na consciência eclesial: saber-se membro vivo da Igreja de Jesus Cristo, participante do seu mistério de comunhão e corresponsável pela sua missão apostólica. Essa consciência nasce do Batismo, que confere a todos uma dignidade extraordinária: somos filhos amados do Pai, incorporados em Cristo, templos vivos do Espírito Santo. Esta é a “novidade cristã” que fundamenta a participação de todos no múnus sacerdotal, profético e real de Cristo e sustenta a vocação universal à santidade.
Nos fiéis leigos, essa novidade assume uma forma própria: a índole secular. É no coração das realidades temporais — família, trabalho, cultura, política, vida social — que os leigos são chamados a viver e testemunhar o Evangelho. A comunhão eclesial, dom do Espírito, torna-se então fonte de unidade na diversidade: vocações, carismas, ministérios e movimentos são valorizados de modo harmônico, fortalecendo a ação missionária da Igreja no mundo.
O texto projeta esse apelo para o horizonte da nova evangelização. Diante dos desafios do mundo contemporâneo, toda a Igreja é chamada a renovar o ardor missionário, obedecendo novamente ao mandato de Cristo: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho”. Os fiéis leigos não são meros colaboradores, mas protagonistas responsáveis dessa missão, chamados a anunciar e viver o Evangelho a serviço da dignidade da pessoa humana e da transformação da sociedade.
Por fim, o apelo transforma-se em oração, confiando os frutos do Sínodo e da Exortação à intercessão de Maria, Mãe de Cristo e Mãe da Igreja. No Magnificat, a Igreja aprende a agradecer, a esperar e a servir. Com Maria, os fiéis leigos são enviados como ramos da verdadeira videira, chamados a dar muito fruto e a colaborar na construção da civilização da verdade e do amor, para a glória de Deus e a vida do mundo.
Pergunta para a vida
De que modo estou respondendo, hoje, ao convite de Cristo para trabalhar na sua vinha, como leigo ou leiga, na Igreja e no mundo?



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