
Os números 43 a 48 do Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2026 tratam da população em situação de rua como a face mais visível e dolorosa da crise da moradia no Brasil. O documento afirma que o crescimento desse fenômeno é consequência direta da precarização das condições de vida, do desemprego, da renda insuficiente e da ausência de políticas públicas eficazes de habitação, saúde e assistência social.
Dados recentes apresentados no Texto-Base indicam um aumento expressivo do número de pessoas vivendo nas ruas, especialmente nas grandes cidades e regiões metropolitanas. Esse crescimento revela que a situação de rua deixou de ser um fenômeno pontual ou transitório e passou a constituir um problema estrutural, profundamente ligado às desigualdades econômicas e sociais do país.
O documento identifica diversos fatores que levam as pessoas à rua: desemprego, empobrecimento, conflitos familiares, violência doméstica, dependência química, problemas de saúde mental e ausência de políticas públicas integradas. A pandemia da COVID-19 agravou ainda mais esse cenário, rompendo redes de apoio, reduzindo renda e sobrecarregando os serviços de acolhimento.
Além da privação material, o Texto-Base destaca o peso do estigma social. Pessoas em situação de rua são frequentemente rotuladas como preguiçosas, perigosas ou inúteis, sendo tratadas como “descartáveis”. Essa desumanização reforça a exclusão e dificulta a construção de políticas e atitudes baseadas na dignidade, no respeito e na fraternidade.
O documento faz uma crítica contundente a um modelo de sociedade que produz não apenas resíduos materiais, mas também “resíduos humanos”. A população em situação de rua é apresentada como um espelho incômodo das contradições do sistema econômico e urbano: enquanto há abundância e imóveis vazios, milhares de pessoas são privadas do mínimo para viver com dignidade.
O Texto-Base também traça o perfil dessa população, mostrando que ela é majoritariamente composta por homens, pessoas negras e adultos em idade produtiva, evidenciando o peso das desigualdades raciais e sociais históricas. A rua não é escolha livre, mas resultado de trajetórias marcadas por exclusão, violência e falta de oportunidades.
Diante dessa realidade, a Campanha da Fraternidade 2026 convida a Igreja a não reduzir sua resposta ao assistencialismo. A população em situação de rua interpela a fé cristã a promover acolhida, defesa de direitos, incidência política e construção de alternativas que garantam moradia digna e reinserção social.
Esses números reforçam que a situação de rua não é um problema individual, mas um sinal grave de falência social e urbana. Ver essa realidade é reconhecer no rosto das pessoas em situação de rua o próprio Cristo sem teto, que clama por fraternidade, justiça e compromisso concreto.
Perguntas para reflexão
- Que imagens e sentimentos costumam surgir quando encontramos pessoas em situação de rua em nossa cidade?
- Como o estigma social contribui para a exclusão e invisibilidade dessa população?
- Que atitudes pessoais, comunitárias e pastorais podem ajudar a superar uma visão assistencialista e promover dignidade e direitos?


