Construirão casas e nelas habitarão: caminhos de ação para a moradia digna (CF 2026, nn. 74–105)

Os números 74 a 105 do Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2026 correspondem ao momento do Agir, no qual a reflexão se transforma em compromisso concreto. Após ver a realidade e iluminá-la com a Palavra de Deus e o Ensino Social da Igreja, o documento afirma que a fé cristã exige ações históricas capazes de transformar as estruturas injustas que negam o direito à moradia. Não se trata apenas de boas intenções, mas de escolhas pastorais, comunitárias e sociopolíticas consistentes.

O Texto-Base parte da convicção bíblica expressa pelos profetas: “Construirão casas e nelas habitarão” (Is 65,21). Essa promessa revela o desejo de Deus de que seu povo viva com estabilidade, segurança e dignidade. Assim, o agir cristão no campo da moradia não é algo estranho à fé, mas resposta direta ao projeto de Deus para a vida humana e social.

No âmbito da ação comunitária, o documento incentiva iniciativas locais que promovam solidariedade concreta, organização popular e cuidado com os mais vulneráveis. As comunidades são chamadas a criar espaços de escuta, apoio mútuo e acompanhamento das famílias em situação de insegurança habitacional, fortalecendo laços comunitários e práticas de fraternidade.

A ação eclesial é apresentada como presença profética e samaritana da Igreja. Paróquias, pastorais e organismos eclesiais devem assumir a defesa da moradia digna como parte de sua missão evangelizadora. Isso inclui o apoio às pastorais sociais, a articulação com a Pastoral de Favelas e Moradia e a inserção da temática nos processos formativos, litúrgicos e catequéticos.

O Texto-Base também destaca a importância da ação educativa, voltada para a formação de consciências críticas. Educar para a fraternidade significa ajudar crianças, jovens e adultos a compreenderem a moradia como direito humano e bem social, superando visões individualistas e meritocráticas. A educação popular e a formação política aparecem como instrumentos fundamentais para a transformação social.

Grande parte desses números é dedicada à ação sociopolítica, entendida como dimensão legítima e necessária da fé. O documento propõe o acompanhamento, a incidência e o controle social das políticas públicas de habitação, tanto em nível municipal quanto estadual e federal. A Igreja é chamada a estimular a participação cidadã e a defesa de políticas que garantam acesso à terra, à moradia e à cidade.

No âmbito das políticas públicas, o Texto-Base enfatiza a importância da produção de moradias adequadas, da regularização fundiária, da urbanização de favelas e da melhoria das habitações precárias. Alerta, porém, que essas políticas devem ser pensadas com participação popular, evitando soluções que reforcem a segregação urbana ou removam comunidades sem diálogo e alternativas dignas.

Outro aspecto relevante é o apoio à autogestão e ao cooperativismo habitacional. O documento valoriza experiências em que as próprias famílias, organizadas coletivamente, participam do planejamento e da construção de suas casas. Essas iniciativas fortalecem o protagonismo popular, reduzem custos e promovem maior sentido de pertença e cuidado com o território.

Os números 74 a 105 deixam claro que o agir cristão no campo da moradia exige articulação com os movimentos populares e organizações sociais. A Igreja é convidada a caminhar junto, respeitando a autonomia desses sujeitos e oferecendo apoio ético, pastoral e formativo. Essa parceria expressa uma Igreja encarnada, que escolhe estar onde a vida é ameaçada.

Por fim, o Texto-Base reafirma que a Campanha da Fraternidade 2026 não se encerra na Quaresma. Ela pretende desencadear processos permanentes de compromisso com a justiça habitacional. Agir é assumir que a fé cristã se torna autêntica quando contribui para que todos tenham casa, cidade, dignidade e futuro.

Perguntas para reflexão

  1. Quais ações concretas já existem em nossa comunidade em favor da moradia digna?
  2. Como podemos articular melhor ação pastoral, formação e incidência sociopolítica à luz da CF 2026?
  3. Que passos concretos somos chamados a dar, como comunidade cristã, para que mais pessoas possam “construir casas e nelas habitar”?

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