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Cristo, o sentido último da atividade humana e da esperança cristã

Neste terceiro artigo da série dedicada à Gaudium et Spes, o Concílio nos convida a olhar com realismo para as ambivalências da atividade humana, reconhecendo que o progresso, embora seja um grande bem, encontra-se ferido pelo pecado. Depois de refletir sobre o valor do trabalho e a legítima autonomia das realidades terrenas, torna-se necessário enfrentar a pergunta decisiva: por que tantas conquistas humanas, em vez de promoverem fraternidade e vida, acabam gerando divisão, injustiça e ameaça à própria humanidade?

A Gaudium et Spes culmina sua reflexão afirmando que a atividade humana encontra sua plenitude em Cristo, o Verbo encarnado. Ao assumir a condição humana, Jesus entrou na história concreta dos homens, assumindo o trabalho, as relações sociais e os desafios do mundo. Nele, a história humana é recapitulada e orientada para sua finalidade última.

Cristo revela que o fundamento da transformação do mundo é o amor. Não apenas nas grandes obras, mas sobretudo nas circunstâncias ordinárias da vida. Ao carregar a cruz e vencer a morte pela ressurreição, Ele mostra que o caminho da justiça, da paz e da fraternidade passa pela entrega de si. Assim, o esforço humano não é inútil quando realizado no amor.

Pelo Espírito Santo, Cristo age no coração das pessoas, purificando e fortalecendo as aspirações humanas por uma vida mais digna e justa. Alguns são chamados a testemunhar explicitamente a esperança do Reino futuro; outros, a trabalhar diretamente na transformação das realidades terrenas. Ambas as vocações são complementares e necessárias para a construção da história segundo o desígnio de Deus.

A esperança cristã não aliena da responsabilidade histórica. A expectativa do “novo céu e da nova terra” não diminui o compromisso com este mundo, mas o intensifica. O progresso terreno não se confunde com o Reino de Deus, mas pode contribuir para ele quando promove a dignidade humana, a comunhão e a liberdade.

O Concílio recorda que os valores humanos autênticos — justiça, fraternidade, solidariedade e liberdade — não se perdem na eternidade. Pelo contrário, serão reencontrados, purificados e transfigurados em Cristo. A história não caminha para o vazio, mas para a plenitude do Reino, onde Deus será tudo em todos.

Assim, a atividade humana, quando vivida à luz da fé, torna-se caminho de santificação e colaboração com a obra redentora de Deus. Cristo, Alfa e Ômega, é o sentido último da história, da ação humana e da esperança que sustenta a caminhada da humanidade.

Perguntas para reflexão

  • Como minha fé em Cristo ilumina o modo como vivo meu trabalho, minhas responsabilidades e minhas esperanças?
  • De que maneira posso contribuir para transformar o mundo sem perder de vista a esperança do Reino definitivo?

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