Dimensão social da fé e o compromisso com a moradia (CF 2026, nn. 69–73)

Os números 69 a 73 do Texto-Base da Campanha da Fraternidade 2026 aprofundam a dimensão social da fé cristã, afirmando com clareza que a evangelização não pode ser separada do compromisso concreto com a vida e com a dignidade das pessoas. A fé em Jesus Cristo, que veio morar entre nós, exige uma resposta histórica diante das injustiças que ferem a fraternidade, entre elas a negação do direito à moradia digna.

O documento retoma o ensinamento central dos Evangelhos: o amor a Deus é inseparável do amor ao próximo. Jesus apresenta o cuidado com os pobres, os excluídos e os sofredores como critério decisivo de autenticidade da fé. Assim, a preocupação com a moradia não é opcional nem secundária, mas parte constitutiva da vivência cristã e da missão evangelizadora da Igreja.

O Texto-Base recorda que, ao longo da história, a Igreja sempre reconheceu essa responsabilidade social da fé. A atenção aos pobres, a defesa da dignidade humana e o cuidado com os bens necessários à vida foram compreendidos como exigências do seguimento de Jesus. A moradia aparece, nesse horizonte, como condição básica para que a pessoa possa viver, conviver e exercer sua cidadania.

Nesse sentido, o documento afirma que a fé cristã não pode ser reduzida a uma experiência intimista ou apenas espiritual. Ela possui consequências sociais concretas. Ignorar a situação dos que vivem sem teto ou em moradias precárias significa esvaziar o núcleo do Evangelho, que chama à misericórdia, à justiça e à fraternidade vivida no cotidiano.

Os números 69 a 73 também ressaltam que a Igreja, ao assumir a dimensão social da fé, não substitui o Estado nem os movimentos sociais, mas atua como consciência crítica e parceira na construção do bem comum. Seu papel é iluminar, animar e acompanhar os processos que promovem vida digna, especialmente junto aos mais pobres e vulneráveis.

O Texto-Base destaca ainda que a opção preferencial pelos pobres nasce da própria fé cristológica. Cristo se identifica com os que sofrem, e neles a Igreja encontra o seu rosto. Por isso, a atenção à moradia digna torna-se lugar privilegiado de encontro com Cristo e de fidelidade ao Evangelho.

Por fim, esses parágrafos reafirmam que a Campanha da Fraternidade 2026 convida a uma conversão integral: pessoal, comunitária e social. Viver a fé de modo coerente implica transformar critérios, prioridades e práticas, colocando no centro a dignidade humana e o direito de todos a um lugar onde possam morar, viver e sonhar.

Perguntas para reflexão

  1. De que maneira compreendemos hoje a dimensão social da fé em nossa comunidade?
  2. Como a situação da moradia interpela nossa vivência concreta do amor ao próximo?
  3. Que atitudes pessoais e comunitárias podem expressar uma fé comprometida com a justiça e a dignidade humana?

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