
1. Apresentação geral do documento
O Documento 106 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresenta orientações pastorais e teológicas sobre o dízimo na vida da Igreja. Seu objetivo é ajudar comunidades e paróquias a compreenderem o dízimo como expressão de fé, comunhão e corresponsabilidade na missão evangelizadora.
O texto foi elaborado após amplo processo de reflexão envolvendo bispos, presbíteros, religiosos e leigos, sendo discutido em diversas assembleias da CNBB entre os anos de 2014 e 2016. O documento busca situar o dízimo dentro da perspectiva da conversão pastoral e da missão da Igreja no Brasil.
Estrutura do Documento
1. Apresentação
A apresentação destaca a relação entre o dízimo e a missão evangelizadora da Igreja. Inspirado na espiritualidade do Evangelho e na exortação Evangelii Gaudium, o documento reafirma que a contribuição dos fiéis nasce da fé e da participação na vida comunitária.
O dízimo é apresentado não apenas como contribuição financeira, mas como sinal de comunhão e compromisso missionário.
2. Introdução
A introdução contextualiza a reflexão sobre o dízimo dentro da renovação pastoral da Igreja no Brasil.
Destacam-se três aspectos principais:
- continuidade da reflexão iniciada em documentos anteriores da CNBB;
- necessidade de reforçar o sentido comunitário do dízimo;
- inserção da Pastoral do Dízimo na perspectiva da conversão pastoral e missionária.
O texto esclarece também que o documento não pretende impor um modelo único de organização do dízimo, respeitando a diversidade cultural e pastoral das Igrejas particulares.
Parte I – A compreensão do dízimo
1. O que é o dízimo
O documento define o dízimo como:
- contribuição sistemática e periódica dos fiéis;
- expressão de comunhão e corresponsabilidade;
- participação concreta na missão evangelizadora da Igreja.
Destaca-se que o dízimo nasce de uma decisão de consciência iluminada pela fé, e não de uma obrigação jurídica.
2. Fundamentos bíblicos
A reflexão bíblica percorre diversos momentos da Sagrada Escritura:
Antigo Testamento
- Abraão e Jacó oferecem o dízimo como gesto de gratidão a Deus.
- Na Lei de Moisés, o dízimo passa a sustentar o culto e ajudar os pobres.
Profetas
Os profetas criticam práticas religiosas vazias e lembram que o verdadeiro culto exige fidelidade a Deus e compromisso com a justiça.
Novo Testamento
Jesus destaca a necessidade de unir prática religiosa e justiça.
Nas primeiras comunidades cristãs aparece a partilha de bens, que se torna referência fundamental para compreender o sentido do dízimo.
3. Dimensões do dízimo
O documento apresenta quatro dimensões fundamentais:
Dimensão religiosa
Expressa a relação do fiel com Deus e sua gratidão pelos dons recebidos.
Dimensão eclesial
Contribui para a manutenção da vida da Igreja e de suas estruturas pastorais.
Dimensão missionária
Permite a solidariedade entre comunidades e Igrejas particulares.
Dimensão caritativa
Destina parte dos recursos ao cuidado com os pobres e necessitados.
4. Finalidades do dízimo
De acordo com o Direito Canônico, os bens da Igreja devem servir para:
- organização do culto;
- sustento do clero e dos ministros;
- obras de apostolado e missão;
- ações de caridade, especialmente em favor dos pobres.
Parte II – Orientações para a Pastoral do Dízimo
1. Implantação do dízimo
O documento orienta que a implantação do dízimo seja precedida por:
- período de conscientização e formação;
- participação das comunidades;
- planejamento pastoral e campanhas de sensibilização.
Também destaca a importância da transparência e da prestação de contas.
2. Organização da Pastoral do Dízimo
A pastoral deve ser estruturada em diferentes níveis:
- paroquial
- diocesano
- regional
Essa organização garante formação, acompanhamento e integração das experiências.
3. Agentes da Pastoral do Dízimo
Os agentes são fundamentais para a animação da pastoral.
O documento recomenda:
- formação espiritual, humana e técnica;
- trabalho em equipe;
- testemunho pessoal de fidelidade ao dízimo.
4. O dízimo na Pastoral de Conjunto
O dízimo precisa estar integrado à pastoral orgânica da Igreja.
Entre os elementos destacados estão:
- integração com os Conselhos Pastorais e Econômicos;
- inserção na catequese e na iniciação à vida cristã;
- promoção da solidariedade entre comunidades.
5. Motivação permanente
A fidelidade ao dízimo depende de um processo contínuo de evangelização.
Alguns meios sugeridos:
- visitas missionárias;
- cadastro e acompanhamento dos dizimistas;
- divulgação transparente dos resultados;
- testemunho dos agentes de pastoral.
Conclusão do documento
O texto conclui reafirmando que o dízimo é uma expressão da fé apostólica e da comunhão missionária da Igreja.
Ele não se reduz a uma contribuição financeira, mas manifesta a participação dos fiéis na missão evangelizadora e na solidariedade com os mais pobres.
✔️ Síntese pastoral para o site
O Documento 106 da CNBB reafirma que o dízimo:
- nasce da fé e da gratidão a Deus;
- fortalece a comunhão eclesial;
- sustenta a missão evangelizadora;
- promove a caridade e a solidariedade entre as comunidades.
Perguntas para reflexão:
- De que maneira o dízimo pode ser compreendido pelas comunidades não apenas como contribuição financeira, mas como expressão de fé e participação na missão da Igreja?
- Como a Pastoral do Dízimo pode ajudar a fortalecer a comunhão, a solidariedade e a corresponsabilidade entre as comunidades eclesiais?



