Objetivo geral e objetivos específicos da CF 2026

Sexto artigo da série sobre a Campanha da Fraternidade 2026

A Campanha da Fraternidade 2026 propõe que o tema da moradia seja vivido também no espaço cotidiano da família, entendido como lugar privilegiado de formação humana, cristã e social. Com o tema Fraternidade e Moradia e o lema bíblico “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), a CF convida cada lar a reconhecer que a fé se constrói na vida concreta, nas relações familiares e no compromisso com a dignidade de todos, especialmente dos mais pobres.

O objetivo geral da Campanha expressa com clareza essa perspectiva: promover, à luz da Boa Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito fundamental, inseparável de outros bens essenciais como saúde, educação, trabalho e saneamento. Ao assumir esse objetivo, a CF 2026 recorda que a casa não é apenas um espaço físico, mas condição básica para a vida, para a proteção da família e para o exercício da cidadania.

Entre os objetivos específicos, destaca-se a necessidade de analisar criticamente a realidade da moradia precária no Brasil. Muitas situações de exclusão acabam sendo naturalizadas, como se fossem consequência inevitável da pobreza ou resultado exclusivo de escolhas individuais. A Campanha denuncia essa lógica que culpabiliza os pobres e legitima a segregação social, lembrando que a precariedade habitacional é fruto de desigualdades estruturais e de decisões políticas.

Outro aspecto fundamental é identificar as omissões do poder público e da sociedade civil no processo de universalização do direito à moradia e à cidade. Ao mesmo tempo, a CF 2026 valoriza e dá visibilidade às iniciativas existentes — pastorais, governamentais e da organização popular — que promovem alternativas concretas de acesso à moradia. Reconhecer essas experiências fortalece a esperança e incentiva o engajamento comunitário.

A Campanha também busca conscientizar as famílias, a partir da Palavra de Deus e do Ensino Social da Igreja, sobre a necessidade sagrada de teto, terra e trabalho para todos. Esses três elementos são apresentados como condições inseparáveis da dignidade humana. Sem eles, a vida familiar se fragiliza, os vínculos se rompem e a exclusão se perpetua, ferindo o projeto de Deus para a humanidade.

Nesse sentido, a CF 2026 propõe corrigir uma compreensão distorcida da moradia como simples mercadoria, objeto de especulação financeira ou resultado exclusivo do mérito individual. A casa, à luz da fé cristã, é um bem social, destinado a garantir vida digna, segurança e pertença. Quando tratada apenas como produto de mercado, a moradia deixa de cumprir sua função humana e social.

Outro objetivo central é fortalecer a presença eclesial e o compromisso sociotransformador da Igreja junto aos mais pobres. A Campanha convoca comunidades e famílias a caminharem com os movimentos e organizações populares que lutam pela moradia digna. Trata-se de uma presença que não substitui a ação política, mas a inspira, acompanha e anima a partir do Evangelho.

Por fim, a CF 2026 chama à responsabilidade concreta no campo das políticas públicas. Empenhar-se para efetivar leis e viabilizar políticas de moradia em todas as esferas sociais e políticas é parte integrante da vivência da fé. A família cristã é convidada a educar para a cidadania, formando consciências críticas e solidárias, capazes de unir oração, compromisso social e ação transformadora.

Viver a Campanha da Fraternidade em família é transformar o lar em espaço de escuta da Palavra, de partilha, de sensibilidade social e de compromisso com os que não têm casa. Assim, cada família é chamada a tornar-se sinal vivo de Deus que “veio morar entre nós” e continua a habitar onde a vida é defendida, acolhida e promovida.


Perguntas para reflexão

  1. Como nossa família compreende a moradia: como direito, dom de Deus e bem social, ou apenas como conquista individual?
  2. De que forma podemos educar, em família, para a solidariedade com aqueles que vivem em situação de moradia precária?
  3. Que gestos concretos podemos assumir, como família e comunidade, para apoiar a luta pela moradia digna à luz da CF 2026?

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