6) Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe

A Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe constituiu um acontecimento histórico para a caminhada da Igreja no continente, reunindo bispos, presbíteros, religiosos, religiosas, leigos e leigas em um amplo processo de escuta e discernimento comunitário. Convocada pelo Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (CELAM) e realizada em 2021, na cidade de Cidade do México, a assembleia teve como inspiração a Conferência de Aparecida e o magistério do Papa Francisco, especialmente no horizonte da sinodalidade e de uma Igreja em saída missionária.

Mais do que um simples encontro episcopal, a assembleia representou uma experiência inédita de participação do Povo de Deus, valorizando a escuta das diferentes realidades sociais, culturais e pastorais presentes na América Latina e no Caribe. O processo destacou desafios como a desigualdade social, a crise ecológica, a secularização e a necessidade de renovação pastoral, ao mesmo tempo em que reafirmou a missão evangelizadora da Igreja, o compromisso com os pobres e a construção de comunidades mais participativas, missionárias e comprometidas com a vida e a dignidade humana.

A grande novidade da Assembleia Eclesial esteve justamente em seu caráter amplamente participativo e sinodal. Diferentemente das Conferências Gerais do Episcopado Latino-Americano — tradicionalmente compostas sobretudo por bispos e especialistas convidados —, a Assembleia procurou envolver de maneira mais direta todo o Povo de Deus, incluindo leigos, mulheres, jovens, povos originários, afrodescendentes e representantes de diversas pastorais e movimentos. Assim, enquanto as conferências episcopais possuem natureza mais deliberativa e voltada ao episcopado, a Assembleia Eclesial destacou-se como um espaço de escuta, discernimento e corresponsabilidade, refletindo o desejo de uma Igreja mais próxima, dialogal e participativa, conforme proposto pelo caminho sinodal promovido pelo Papa Francisco.